APRESENTAÇÃO DO GRÉMIO NO CONSULADO GERAL DE MONTREAL


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13 de Abril de 2007



Apresentacao do Grémio em Montreal

Adelaide Vilela (Vice-Presidente-Quebec), Óscar Monteiro (Presidente do Grémio),
Carlos Oliveira (Consul de Portugal-Montreal) e Ana Fernandes (Vice-Presidente-Ontario)
Foto: Cortesia de António Vallacorba



O GRÉMIO LITERÁRIO CHEGOU A MONTREAL

Adelaide Vilela Por: Adelaide Vilela,
Vice-Presidente do Grémio Literário na Província do Quebec

O Grémio Literário é uma associação de poetas e escritores lusófonos,  para escritores e poetas do Canadá, dum extremo ao outro deste grande país do norte da América.

Quando me pediram para fazer parte do Grémio desejei conhecer os membros da grande família, os que viriam a sentar-se, comigo, à volta da mesa, em Montréal e em Toronto. Tratando-se de poesia, (da poesia que é parte de mim) e de todos aqueles que como eu versejam com amor à Língua e à Pátria, é muito importante que haja paz e sentido de missão. Para que numa verdadeira equipa tudo seja apenas partilha, é imprescindível que os membros de uma equipa, neste caso, do Grémio, consigam responder positivamente a quaisquer questões daqueles que desejem também fazer parte da família das letras.  

O Grémio nasceu para crescer e fazer crescer. Assim o penso. Só faz sentido haver um Grémio literário se o bem mais precioso de uma equipa for crescer experimentando experiências novas para crescer ajudando os outros no mesmo sentido.

Amália Rodrigues encantou o mundo ao interpretar: É UMA CASA PORTUGUESA. Mas a casa portuguesa a que ela se referia não se quedou pequenina e branquinha à beira mar ou no alto da montanha. A Diva do Fado levou longe, alto e melhor, a sua casa portuguesa, e estendeu-a ao mundo inteiro através da canção nacional, o nosso fado.  O Grémio é também um género de casa portuguesa por excelência, que pretende expandir-se até a outras casas. Que sejam portuguesas ou não, isso não importa; importa sim que lá se fale a língua de Camões e de Pessoa - por tantos poetas cantada mundo além! "A minha Pátria é a língua portuguesa" assim disse o grande Fernando Pessoa ao catalogar a língua que o fizera amar e ser amado, antes de tudo.

 Criar, versejar, multiplicar-se em heterónimos, Pessoa partilhou com o mundo os valores da sua missão. Crítico ou não havia nele coesão e lealdade de reflexão.

Fernando Pessoa abriu-se ao mundo, mundo dos mundos dos nossos navegadores, mundo da Lusofonia e das muitas identidades culturais. Vejam, a língua portuguesa é falada em, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Goa, Moçambique, São Tomé e Príncipe, em Timor-Leste e noutras partidas da Terra. Mas não é só lá, é aqui, é agora que se fala a língua portuguesa, onde estejam radicadas famílias desses países que honram Portugal, longe de casa, em qualquer parte do mundo.

 Assim sendo, como escritores de uma comunidade lusa, não faz sentido que guardemos para nós o que sabemos o que fazemos, o que escrevemos, e o que sentimos sem que seja solicitada a presença desses  povos -  falantes da língua portuguesa - e que com eles amadurecemos as nossas relações sócio culturais baseadas em fortes laços de amizade. Afinal, esses povos foram e serão sempre nossos irmãos, independentemente de raças ou cores.

Espero que as minhas palavras voem nas asas brancas de uma pomba até aos lares de todos os falantes de língua portuguesa, e que todos juntos sejamos capazes de criar uma Associação rica em letras, e valores identitários e literários. E que nenhum de nós seja o desconhecido, para que cada um se permita descobrir o Grémio Literário, descobrindo-se a si próprio ao descobrir o outro.  Sejamos todos criadores de alianças e de laços fraternais.  Se seguirmos as peugadas do Padre António Vieira faremos do Grémio literário, hoje aqui apresentado, pela primeira vez, um pólo de cultura voltado para o diálogo intercultural, em todos os pontos do Canadá onde haja falantes da língua de Camões.  

O Grémio Já chegou a Vancouver pelas mãos e pelo coração do nosso grande amigo José Carlos Teixeira; à Toronto, onde nasceu, chegou com vontade de juntar, com o professor Óscar Monteiro, Ana Sança, Ana Fernandes, e seus fundadores.  Na província do Québec, a  autora destas linhas fará tudo o estiver ao seu alcance para representar o Grémio.

O desejo de mudança e de aprendizagem estão bem presentes em mim. Quantas vezes me sinto obrigada a implicar-me em certas coisas tal como se fosse peregrina de um missão no tempo e nos tempos. Talvez seja por razões de sobrevivência. Dizem que a língua portuguesa, que se fala fora de Portugal, num futuro a curto termo pode correr riscos, fraquejar e deixar de se falar com tanta frequência nas associações viradas para a lusofonia, já que a emigração pelo menos para as Américas não tem a mesma afluência. As tendências são diminuir. Ainda que nos esforcemos arduamente para integrar e adaptar os mais jovens acreditem que a melhor maneira e a mais valiosa prática é de lhes deixar escrito, na nossa língua: a nossa vivência, os nossos saberes e pensamentos, e a nossa história como cidadãos no mundo.

Neste dia 13 de Abril de 2007, dia em que se apresenta o Grémio Literário à comunidade Portuguesa de Montréal, desejo saudar todos os sócios e dirigentes desta associação literária e desejar-lhes boas obras e muitos êxitos na vida. E que nenhum de nós, falantes da língua de Camões, se sinta o desconhecido na direcção do outro. Sucessos e longa vida ao Grémio Literário.




APRESENTAÇÃO DO GRÉMIO LITERÁRIO EM MONTREAL

Adelaide Vilela

- Agradeço ao Sr. Cônsul de Portugal de Montreal, Dr. Carlos Oliveira, pela amabilidade e todo o apoio, bem como ao Sr. Chanceler Sr. David Pereira e restantes funcionários Consulares.

- Agradeço a presença dos aos VPs e Membros Directivos do Grémio Literário que me acompanham neste momento. A Ana Fernandes e em particular a Adelaide Vilela, por todo o apoio e trabalho de coordenação desta apresentação em Montreal.

- Agradeço também aos Órgaos de Informação Social e Todas as pessoas aqui presentes e aos que irão participar na parte recreativa e lúdica desta tarde.


Minhas senhoras e meus senhores,

É um prazer estar aqui convosco, um privilégio e uma honra.

A vida é feita de múltiplas facetas diferentes e a tendência humana é sempre querer mais …

Mas este querer mais, não se traduz apenas em facetas de aspectos profissionais, económicos, de bem estar e lazer - ou seja o lado materialístico, - mas também se manifesta através de laços afectivos, culturais, artísticos, linguísticos e religiosos - portanto o lado  espiritual, - como duas faces da mesma moeda.

Assim, o Grémio Literário foi concebido como o lado humano, afectivo e recreativo, - como uma espécie de linhas de poesia enraizadas em cada um de nós que emergem e continuam indeléveis através dos tempos e espaços - em relação a Língua Portuguesa e foi ainda com a convicção de que irá ligar as gerações presentes e futuras, e fechar as brechas que entre elas existem.

Observa-se no Canadá, uma realidade que é um fenómeno constante, tal como o que sucede no plano da gramática da língua - a transferência e a transformação das regras, do sintaxe, do léxico, da vocalização, em sumo, da "gramática da vida" da Língua Portuguesa, - que se processa através do quotidiano, com o "calor" das diversas influências linguísticas e culturais deste país, apesar de muito álgido, fazendo aumentar a nossa espessura cultural.

O Grémio Literário surge então como uma obra sem fins lucrativos que procura conjugar e coadunar essa "gramática e léxico da vida" com a "vida do léxico e da gramática" ou seja como uma necessidade e "la raison d'être, para salvaguardar a "vida da herança", adquirida pela "herança da vida", que é Língua Portuguesa. Para isso pretende documentar essas vivências apoiando os trabalhos dos Autores e Escritores Lusófonos, incluindo Jornalistas, e todos quantos escrevem na Língua de Camões, quer sejam Portugueses, Brasileiros, Angolanos, Mocambiçanos, etc. e mesmo Canadianos, residentes no Canadá, de costa a costa, porque  a Língua Portuguesa, que é ubíqua, é a nossa pátria, como diz Fernando Pessoa, e a nossa herança comum.  

Hoje encontramo-nos aqui, em Montreal, província do Quebec, para fazermos a apresentação "in locco", - numa área, por conseguinte, fora de Toronto e Ontário. As minhas colegas Adelaide Vilela, a nossa antena em Montreal, e Ana Fernandes irão alargar mais sobre esse aspecto.

Esta preocupação em querer preservar e expandir a Língua Portuguesa deve-se, "a priori", ao valor intrínseco, inestimável que Língua Portuguesa adquiriu.

A Língua Portuguesa que teve o seu berço em Portugal, mas hoje pertence ao mundo, é falada por milhões de pessoas em todos os cantos do planeta telúrico, uma Língua que atingiu uma plataforma elevada e é a Língua de eleição dos poetas e dos escritores. Uma Língua que se enriqueceu, através dos meandros que percorreu. Que, tal como um rio, transportando consigo resíduos de influências dos países por onde passou, aumentou a sua espessura cultural, tornando-se mais opulenta e universal, porque as Línguas, por serem dinâmicas, mudam-se depressa, e, dada a inerente mutabilidade de uma Língua, a Língua Portuguesa evoluiu e certamente continuará a fazê-lo. Pois é, quando algo coisa que se cria  ultrapassa o seu valor, sai das mãos do seu criador e do lugar onde foi criado. Foi o que aconteceu a Língua Portuguesa.

Como atrás se referiu, a Língua Portuguesa encontra-se na génese da Literatura Lusófona Canadiana.

Para quem estiver a cogitar sobre o que é a Literatura Lusófona direi que, tentar definí-la, dar-lhe contornos rígidos, enclausurá-la entre quatro paredes, seria um erro. Contudo, não restam dúvidas de que se trata da evolução natural da prístina Língua Portuguesa tomando novas formas, corpo e dimensão.

Embora o cérebro humano e o modo como adquire a Língua seja, uma constante fonte de interesse científico, a Língua não é apenas a palavra falada ou escrita. É também a moeda de pensamento consciente na adaptação e não só. Por isso, a Língua Portuguesa sofreu modificações na sua gramática, no seu léxico, nas formas de expressão. Assimilou os "logos" das cidades e províncias onde os falantes lusófonos foram aceites. Assim é lógico que houvesse uma espécie de simbiose  com o encontro de outras Línguas e gentes diferentes. O darwinismo explicaria esse fenómeno dos comportamentos, resultantes de influências e de interiorização, como uma forma de adaptação e sobrevivência.

É bem conspícua essa evolução em Portugal. Se compararmos os textos dos séculos 14, 15 e 16, e portanto dos séculos relativamente mais próximos de nós, como por exemplo de Gil Vicente, de Camões e outros escritores dessas épocas, verificamos que a Língua Portuguesa sofreu alterações e temos dificuldades em compreender esses textos.

Se analisarmos a Língua Portuguesa falada e escrita no Brasil, vemos também diferenças acentuadas, por ter tido influências dos nativos, dos escravos e doutros povos que para lá emigraram. Deve-se isso aos muitos séculos de existência do país e por essa razão já tem uma literatura própria,

Por mesmas razões de longividade e por ser uma região insular, condicionada pelo mar, pelo ceu e isolamento, dizem também que os Açores, tem uma literatura distinta, com o expoente máximo o escritor, poeta, e professor Dr. Vitorino Nemésio.

De tudo o que foi exposto, podemos conjecturar que o Canadá bem como os outros países de expressão Portuguesa, que são ainda novos, com apenas algumas dezenas de anos, também irão ter a sua própria Literatura com o decorrer dos tempos.

Deste modo, se no próprio país de origem, com o decorrer dos tempos, a Língua Portuguesa evoluiu, é natural e jutificável que fora dele essa evolução seja mais rápida e pronunciada. Aliás, a dispersão e transformação da Língua Portguesa tornou-se mais acentuada quando começou o evento das descobertas marítimas, onde a Língua Portuguesa, com a sua liberdade, evoluiu sem constrangimentos nem fronteiras. Num olhar aquilino, apercebemos que essa metamorfose linguística é uma metáfora do mito da Torre de Babel.

É evidente que já se nota a diferença na forma de falar das populações Lusófonas Canadianas - Alguns termos como o parkar, comprar uma tiqueta, dizer uma dólar, etc, comprovam essa asserção.  Essas palavras dão-nos a noção sobre o que as pessoas falam e a esspessura da sua cultura. E a Literatura Lusófona retrata essas nossas vivências e o modo de estar e sentir, atestando a nossa existência.

Quando atingirmos 500 anos de existência no Canadá, tal como no Brasil, teremos um idioma distinto ou quem sabe extinto. Extinto se não conservarmos a Língua Portuguesa. Não devemos esquecer que no Canadá cada geração que se segue, escolhe falar um idioma diferente do dos seus pais - o Inglês e Francês. Assim a Língua materna cairá em oblívio. Contudo, será distinta, se zelarmos por ela.  

Disse atrás que uma das razões que motivou a fundação do Grémio Literário foi a necessidade e veremos porque. Como sabem, a necessidade é a mãe de todas as invenções.

Embora não hajam respostas satisfatórias quanto a questão importante de como e porque a escrita foi criada ou inventada e desenvolvida, os estudos indicam que tenha sido entre os anos 3.200 a 3.400 A.C., a escrita certamente apareceu para preencher uma lacuna de necessidade económica, de administração e artistica, para preservar e comunicar a informação fora da memória humana, para além do espaço e tempo.  Como testemunho disso temos imensos vestígios entre eles a arte rupestre, as inscrições pictóricas ou cuneiformes, as lápides de barro, com sistema de código abstracto, como no épico de Gilgamesh, encontrados na Suméria.
 
Assim também, o Grémio Literário foi fundado por mim e por Dr. Ricardo Castro Lopo, e pelos Professores Doutores José Carlos Teixeira e Manuel Alves Louro como uma necessidade para preservar a Língua Portuguesa como um marco eviterno da nossa presença, de uma Comunidade Lusófona, e como parte do mosaico sócio-económico-cultural Canadiano, através dos trabalhos de quem escreve na Língua de Camões, fora da nossa memória, para além do espaço e tempo e num verso Camoniano para que da "lei da morte se liberte".

Grémio Literário foi oficialmente inaugurado no dia 26 de Outubro do ano passado, no Consulado de Portugal, amavelmente cedido pela Sra. Cônsul de Portugal em Toronto, Dra. Maria Amélia Paiva, que nos deu todo o seu apoio. Agora estamos a ter o apoio do Sr. Consul de Portugal de Montreal, Dr. Carlos Oliveira, a quem mais uma vez agradecemos toda a sua boa vontade e amabilidade para com o Grémio Literário.

Por isso, faço-vos este apelo para que sejam sócios do Grémio Literário e se juntem a nós, neste esforço e missão de preservar a Língua Portuguesa. Por favor preencham as fichas de inscriação e entreguem-nas ainda hoje.

Obrigado

Óscar Monteiro
Presidente do Grémio Literário
Montreal, 13 de Abril de 2007



Parte da assistencia na apresentacao do Gremio em Montreal Uma das autoras lendo o seu trabalho

Na foto 1 - Parte da assistência na apresentação do Grémio em Montreal
Na foto 2 - Uma das autoras lendo o seu trabalho.

Fotos - Cortesia de António Vallacorba